Setores industriais

Aplicações industriais dos selos MG1, MG12 e MG13

Uma leitura por setor da indústria brasileira mostrando as dores reais de vedação e as configurações recomendadas de faces, elastômero e modelo da série MG para cada uma.

Água — bombas de abastecimento e recalque

Bombas de água limpa — abastecimento predial, recalque, poços rasos e artesianos — são a aplicação mais volumosa da família MG no Brasil. A água tratada não é agressiva, mas raramente é livre de dureza, o que gera dois problemas ao longo do tempo: incrustação de carbonato de cálcio junto ao eixo e desgaste lento das faces por partículas coloidais.

O MG1 com faces carvão × cerâmica e elastômero NBR resolve a maior parte dos casos. Onde a água é dura ou o serviço opera com muitas partidas, o MG13 com fole em NBR ou EPDM elimina o risco de travamento do o-ring por incrustação.

Configuração recomendada

MG1 carvão × cerâmica + NBR para água tratada; MG13 SiC × SiC + EPDM para água dura ou circuitos com paradas frequentes.

Esgoto — bombas submersíveis e de recalque

As bombas de esgoto trabalham com fluido carregado de sólidos, sabões, óleos, gorduras e alguma agressividade química vinda de despejos irregulares. O par carvão × cerâmica é atacado rapidamente — o carvão desgasta e a cerâmica pode trincar por impacto de sólidos.

A escolha correta migra para faces em WC × WC ou SiC × SiC. O elastômero EPDM lida bem com a variedade química típica do esgoto sanitário e não incha em contato com detergentes.

Configuração recomendada

MG13 WC × WC + EPDM ou HNBR — máxima resistência a sólidos e química diversa.

Indústria química — processos ácidos e alcalinos

A química industrial exige seleção caso a caso. Ácidos diluídos (sulfúrico até 30%, clorídrico até 20%) trabalham bem com SiC × SiC + EPDM. Ácidos concentrados e oxidantes fortes exigem FKM (Viton) e faces em SiC sinterizado sem ligante metálico.

Álcalis moderados — soda cáustica em soluções diluídas — combinam com EPDM. Solventes orgânicos, hidrocarbonetos e óleos aromáticos exigem FKM. Como regra prática, todo projeto químico deveria começar por SiC × SiC e escolher o elastômero em função do fluido.

Configuração recomendada

MG1 ou MG12 SiC × SiC com elastômero definido por fluido: EPDM para aquosos, FKM para orgânicos.

Alimentícia — leite, sucos e polpas

A indústria alimentícia impõe duas exigências simultâneas: material grau alimentício e resistência aos ciclos CIP (Cleaning in Place) com detergentes alcalinos e ácidos sanitizantes em temperaturas elevadas.

O EPDM grau alimentício é o elastômero padrão — resiste bem a CIP com soda a 80 °C e a limpeza ácida com nítrico diluído. As faces em SiC × SiC atendem à exigência de baixa contaminação. Componentes metálicos devem ser AISI 316 quando o fluido é ácido ou salino.

Configuração recomendada

MG12 SiC × SiC + EPDM grau alimentício, componentes em AISI 316.

Bebidas — cerveja, refrigerante e água aromatizada

Bombas de bebidas trabalham com CO₂ dissolvido, açúcares e ciclos CIP diários. O CO₂ dissolvido e a acidez natural da bebida atacam elastômeros comuns, e o açúcar residual cria cristalização junto ao eixo quando a bomba para.

MG13 com fole em EPDM é a configuração ideal — o fole imuniza a vedação contra a cristalização do açúcar, e o EPDM resiste bem à CIP e ao CO₂.

Configuração recomendada

MG13 SiC × SiC + EPDM grau alimentício.

Papel e celulose — fluidos com fibras

A polpa de celulose é fluido abrasivo por natureza. Fibras finas passam pelas faces e causam desgaste, e a química do processo — soda, sulfeto, ácidos orgânicos — varia por etapa.

As faces em SiC × SiC ou WC × WC são obrigatórias. O elastômero EPDM cobre a maior parte das etapas aquosas; o FKM aparece nas etapas com ácido acético e derivados.

Configuração recomendada

MG12 ou MG13 SiC × SiC + EPDM; WC × WC em polpas de maior consistência.

Usinas — açúcar e etanol

As usinas de cana operam com três fluidos críticos: caldo bruto (açúcar, ácido, fibras), mel/mosto (viscoso, cristalizável) e etanol (leve, inflamável). O caldo cristaliza junto ao eixo e destrói selos MG1 padrão em semanas.

MG13 com fole é praticamente obrigatório no caldo e no mel. No etanol, o FKM é preferível ao NBR — o etanol atacado por umidade e traços de água carrega ácidos que degradam NBR ao longo do tempo.

Configuração recomendada

MG13 SiC × SiC + EPDM para caldo e mel; MG1 SiC × SiC + FKM para etanol.

Mineração — polpas e lamas

A mineração testa o limite superior dos selos mecânicos. Polpas de minério, lamas de rejeito e concentrados carregam sólidos duros em concentrações que devastam qualquer face que não seja WC × WC.

O carbeto de tungstênio é obrigatório — nem o SiC resiste ao impacto de partículas grandes. O elastômero fica em EPDM para lamas aquosas ou FKM para meios com aditivos químicos.

Configuração recomendada

MG13 WC × WC + EPDM; em serviços com paradas frequentes, considerar sistemas de flush externo.

Petroquímica — hidrocarbonetos e derivados

Hidrocarbonetos alifáticos, aromáticos, óleos quentes e derivados de refino exigem elastômero FKM — o NBR incha e o EPDM se dissolve. As faces em SiC × SiC lidam bem com a maior parte dos hidrocarbonetos limpos; WC × WC entra em serviços com sólidos ou coque.

Temperaturas elevadas e pressões variáveis podem exigir migração para selos balanceados; a família MG cobre a faixa até serviços médios de refino.

Configuração recomendada

MG1 ou MG12 SiC × SiC + FKM (Viton).

Tratamento de água — ETA e ETE

Estações de tratamento operam com água bruta carregada de sólidos, produtos químicos dosados (cloro, sulfato de alumínio, cal) e retorno de lodo. Cada ponto do processo tem exigência própria — a captação lida com sólidos, a decantação com químicos, o recalque final com água clarificada.

MG12 ou MG13 com SiC × SiC + EPDM é uma configuração universal que atende à maior parte dos pontos. Onde há cloro em alta concentração, migrar para FKM.

Configuração recomendada

MG13 SiC × SiC + EPDM; FKM em pontos com dosagem elevada de cloro.

Irrigação — pivôs e recalque agrícola

Bombas de irrigação operam com água bruta captada de rios, açudes ou poços, quase sempre com alguma carga de sólidos finos e presença sazonal de fertilizantes ou defensivos dissolvidos.

MG1 carvão × cerâmica + NBR atende a maioria dos casos com água clarificada; SiC × SiC quando há sólidos ou fertirrigação.

Configuração recomendada

MG1 SiC × SiC + NBR ou EPDM conforme fertilizantes dissolvidos.

Farmacêutica — processos sanitários

A indústria farmacêutica exige rastreabilidade de materiais (certificados FDA/USP Classe VI), rugosidade controlada dos componentes metálicos e resistência a esterilizações químicas ou por vapor.

MG12 com faces em SiC × SiC + EPDM Peróxido (grau farmacêutico) e componentes em AISI 316L com polimento sanitário é a configuração padrão.

Configuração recomendada

MG12 SiC × SiC + EPDM grau farmacêutico, metais em AISI 316L polido.

Processos industriais gerais

Fora dos setores altamente regulados, existe um universo enorme de aplicações industriais — resfriamento, transferência, dosagem, circulação — onde o MG1 padrão com faces e elastômero adequados ao fluido resolve por décadas.

A seleção segue sempre a mesma lógica: fluido define o elastômero, sólidos definem as faces, temperatura e pressão definem se cabe MG ou se é preciso migrar para selo balanceado.

Configuração recomendada

MG1 carvão × cerâmica + NBR para fluidos limpos gerais; escalar conforme severidade.